O Talibã garantiu que se vingará do ataque, continuando ações de retaliação que se iniciaram quando militares americanos queimaram exemplares do livro sagrado do islã, o Corão, no mês passado
FOTO: REUTERS
Cabul. O Talibã do Afeganistão jurou ontem vingança contra os "selvagens americanos com mentalidades doentes", uma clara resposta ao ataque de um sargento do Exército dos Estados Unidos que no domingo matou 16 civis - entre eles nove crianças - na cidade de Panjwai, na Província de Kandahar.
O Talibã irá "vingar-se dos invasores e dos assassinos selvagens por cada mártir", de acordo com um comunicado publicado no site do grupo insurgente. "Entre as vítimas, há um grande número de crianças inocentes, mulheres e idosos, martirizados pelos bárbaros americanos, que impiedosamente roubaram suas vidas preciosas e encharcaram suas mãos com sangue inocente", afirma ainda o comunicado.
Os Estados Unidos ofereceram condolências às famílias dos mortos e prometeram que medidas serão tomadas contra quem for culpado pelo massacre. Kandahar é considerada o berço do Talibã afegão.
As forças internacionais no Afeganistão, lideradas pelos Estados Unidos, ampliaram as medidas de segurança após o incidente do domingo temendo ataques de retaliação. A embaixada americana também alertou seus cidadãos no país sobre a possibilidade de ações terroristas.
No mês passado, o Talibã assumiu a responsabilidade por diversos ataques que, segundo o grupo, foram uma resposta à queima de exemplares do Corão, o livro sagrado do islã, por soldados americanos. Pelo menos seis soldados dos Estados Unidos morreram em protestos que irromperam em todo o país.
Não houve sinais de manifestações durante a manhã de ontem, e também não se sabe como será a reação após o massacre de Kandahar. Os civis afegãos já sofreram uma série de ataques desde que as forças internacionais estão no país, mas raramente os incidentes são brutais e cruéis como o de domingo.
O incidente também voltou a colocar em questão a retirada das tropas dos Estados Unidos, já anunciada pelo presidente Barack Obama. A saída dos militares americanos já teve início, mas está prevista para terminar em 2014, embora ainda haja discussões sobre a capacidade das forças locais de manter o país estável e seguro.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, assegurou ontem que os Estados Unidos não alterarão sua estratégia no Afeganistão apesar dos incidentes das últimas semanas, agravados pelo massacre de domingo.
"O objetivo dos Estados Unidos é eliminar a Al Qaeda e estabilizar a situação no Afeganistão para que os terroristas não possam continuar em seu território. E seguiremos trabalhando nisso", insistiu o porta-voz.
Carney, no entanto, disse que os últimos episódios ocorridos no Afeganistão foram "trágicos e terríveis" e que eles serão discutidos na cúpula da Otan em Chicago, cuja reunião será realizada em maio.
O representante lembrou que as políticas do presidente americano, Barack Obama, sobre o Afeganistão "sempre foram muito cuidadosas" e continuam destinadas a conseguir que as autoridades afegãs possam garantir a segurança do país.
Não identificado
O Pentágono anunciou ontem que não identificará o soldado americano responsável pela morte dos 16 civis afegãos, antes que seja imputado pelos crimes. O anonimato dos militares responsáveis por crimes antes do início das acusações é comum entre as forças americanas. Os oficiais dos Estados Unidos não afirmaram se o soldado será enviado de volta aos país.
Os oficiais afirmaram que o militar é casado com filhos e que serviu três vezes no Iraque. De acordo com as autoridades, ele se entregou após os disparos.
Mais cedo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse estar chocada e entristecida pela morte dos 16 civis afegãos. "Isso não é o que somos e os Estados Unidos estão comprometidos para que os responsáveis recebam as penas correspondentes", declarou
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